terça-feira, 2 de agosto de 2022

Dúvidas (e lá vamos nós)

Olá, pessoas, como estão? Estou sem vir aqui mas é por falta de novidades... mas hoje tem coisa nova e provavelmente é o texto que eu mais protelei pra escrever aqui e, talvez, seja um dos mais íntimos e que estou com ele embolado dentro da cabeça. Não sei se por medo do que meus dedos vão escrever enquanto eu tento pensar nas palavras, não sei se pelo rumo que ele vai tomar. Se ele está postado aqui e vocês estão lendo é sinal que eu consegui escrever e postar.


Faz mais de uma semana, talvez mais de mês, que eu estou com o escrito na ponta da língua e quando vou escrever... ele foge. O foda é que, de uns dias pra cá, isso passou a me sufocar, por isso resolvi ligar um mix de LoFi HipHop do Nujabes e meio que forçar a sair, tipo quando estamos mal do estômago e tomamos algum remédio que faz sair... ok, péssimo exemplo, mas é meio assim que me sinto.


Sei que costumo dividir minha vida entre o antes e depois da saia, porém é inevitável, porque ela trouxe algo que me mostrou o outro lado do espelho (inclusive esse foi o título de um blog que tive muitos anos atrás, acho que apaguei ele faz muito tempo, enfim) e ele me sorriu. 


Já escrevi três parágrafos e ainda não consegui concatenar as ideias, que merda. Vamos começar pelo começo mais recente e de trás pra frente: Já se vão alguns dias que eu estou em crise de despersonalização, eu fico sempre com a sensação de que estou sonhando e isso acaba por me deixar apático com o que sinto/vejo/faço e é a porta dos fundos pra crise depressiva entrar com tudo. Como eu não sei a origem dessa crise atual eu estou achando que tem relação com um evento que aconteceu tem mais ou menos um mês...


*efeito de volta no tempo*


Não sei se vocês sabem mas eu gosto muito de ouvir podcasts, sobretudo os que contam histórias, sempre muito bom pra ouvir enquanto limpo a casa, lavo uma louça ou vou buscar pão ou coisa assim. Pois bem, um desses podcasts que ouço com certa regularidade é o GugaCast (Mari, se ler, desculpa, é a única vez que vou citar o nome ok?), gosto que contam histórias dos ouvintes e até fiquei interessado em mandar histórias pra lá, mas nunca fiz porque minhas histórias de vida não são lá grande coisa pra serem contadas num podcast que tem seus milhares de ouvintes. Vou admitir, quando vi o último episódio, com mais de duas horas e meia eu tive certa preguiça de dar o play, porém quando dei vi que eram histórias soltas de uns quarenta minutos cada uma, então tava show.


Como trabalho com comunicação gosto de estar de olho nas tendências e sempre buscando aprender mais sobre tudo e o último episódio era o especial LGBTQIAP+, esse assunto eu tenho real interesse até pra poder me comunicar da forma mais educada e inclusiva possível, sempre em busca de uma evolução.


Pois bem, no episódio em questão eu acabei atingido por várias histórias que me fizeram ora chorar de alegria, ora chorar sentindo a dor das histórias contadas, porém veio a última história e... Puta que pariu.


Eu já tinha tomado um spoiler de leve no instagram, porém ao ouvir o episódio, aquela história... mano do céu. Sem zoeira: eu deitei no chão e fiquei meia hora depois que acabou sem força pra nada. Sugiro que ouçam o episódio todo, mas a grande história é a última, não sei ao certo a minutagem. A propósito: quando forem ouvir, ouçam em um lugar que vocês possam chorar numa boa, não é recomendável ouvir na rua porque... bem... vocês vão acabar chorando litros, estejam avisades.


Mas enfim, conforme a personagem contava sua história eu fui me identificando demais. Quando ela falou que, aos nove anos, viu um vestido amarelo pendurado atrás da porta do banheiro quis muito vestir porém achou errado e não o fez... é muito paralelo com o que aconteceu comigo sabe? Outros relatos, outras passagens de vida e eu ficava igual aquele gif do Leonardo DiCaprio apontando. Pode ser que eu seja uma pessoa muito influenciável, mas seilá... me vi naquela história de um jeito que não sei explicar.


Ok, sei que quem ler talvez não vá ouvir o episódio e/ou não tenha paciência/tempo pra ouvir tudo então qual é o resumo? A personagem do conto (e a pessoa que dava nome ao podcast), depois de um tempo, descobriu-se uma mulher trans... Agora eu não sei se continuo escrevendo porque estou sentindo meu estômago borbulhando igual como quando fui fazer vestibular.


Ta, eu preciso tirar isso da cabeça e, quem sabe, isso ajude a dar um alivio pra cabeça, porém eu preciso de outra música, então vou dar play em um show do Portishead (uma banda que faz umas músicas que me inspiram na hora de escrever), então vamos lá:


Agora uma pequena volta no tempo até o dia que recebi a saia e o espelho me sorriu: os dias seguintes foram maravilhosos. Foi mais ou menos nessa época que surgiu a Fernanda (verdade seja dita: eu já usava esse nome na internet, pra aprimorar a escrita em gênero oposto ao meu) e eu, REALMENTE, achei que poderia ter duas personalidades, uma feminina e outra masculina, só que logo (logo = nos meses seguintes) isso dissipou e ficou um sentimento "tudo bem Lu usar saia" e assim estávamos até o começo da terapia onde essa dúvida ocorreu, porém na época eu estava mais tranquilo quanto a isso... o que fez até minha terapeuta respirar aliviada, porque ela não ia saber como lidar. Aliás, olhando hoje acho que ela se sentiu aliviada quando eu parei de ir... enfim, divagações.


Voltando ao momento presente: ocorre que ouvir aquele episódio do podcast me fez relembrar coisas que eu fazia quando criança/começo da adolescência. Além de entrar no quarto dos meus pais e vestir um tailleur lindo, com saia lápis camurça marrom-claro, camisa branca de botão, meia calça branca (fio 20 acho) e uma camisa de manga comprida em um tom de marrom-claro parecido com o da saia eu fazia outras coisas como, por exemplo: quando era adolescente eu tinha alguns amigos e a gente costumava pedalar com frequência e, por causa do calor, todo mundo acabava tirando a camiseta e, uns amarravam no guidão, outros no banco e eu colocava na testa, foi ali a primeira vez que senti a sensação de ter cabelo comprido e foi... incrível.


Quando terminei o ensino médio mudei de cidade (e de estado!) e lá tive uma forte crise depressiva que se estendeu por quase um ano onde eu mal comia, porém eu tinha uma coisa que sempre quis: o cabelo comprido. Talvez ali eu já tivesse um pequeno vislumbre do que poderia... ser. Quando estávamos pra mudar de cidade (e de estado, de novo!) fui convencido a cortar o cabelo, foram dias até conseguir me olhar no espelho de novo.


Mas, cidade nova e resolvi deixar crescer de novo. Passados mais algum tempo acabei cortando em parte por pressões domésticas e parte porque estava em um grande sei lá. Pois bem, fiz faculdade e acabei conhecendo muita gente legal e tals mas ninguém que me interessasse nem romântica nem sexualmente, vida que segue. No entanto, antes de eu me formar teve o ano de 2018, o ano zero, o ano que comprei a saia. Ali, com aqueles auspícios, eu resolvi não me tolher mais e seguir a minha verdade, ser fiel a mim mesmo, por isso deixei o cabelo crescer (pela terceira vez!) e até na formatura (2019) eu fui de cabelo já bem comprido... meu cabelo cresce mó rápido haha


Escrevi pra caralho, estou aqui sendo guiado por meus dedos e pensando se devo publicar esse texto... são 2:13 da manhã e eu estou, novamente, pensativo se posso (ou não) ser uma pessoa trans ou acabei me deixando influenciar pelo episódio. Queria ter condições de bancar uma terapia pra poder falar tudo isso, mas, por sorte, tenho esse blog que, organicamente, ninguém vai ler, só quem eu enviar o link.


Enfim, durante a escrita eu pausei várias vezes e acabei achando umas histórias interessantes (sobre Chevalier d'Eon) que, quem sabe, em algum momento traga aqui... é isso. Faz uma semana que estou em crise de despersonalização e, talvez, a "culpa" seja por eu não ter certeza sobre qual gênero eu sou. Sigo escrevendo "ele/dele" porém, não sem antes, dar uma pequena pausa antes e isso... me incomoda um pouco. Não sei dizer ao certo o que estou sentindo, por isso a ideia de estar frequentando uma terapia talvez fosse boa nesse momento... mas, o blog é o que tem pra hoje.


Merda. Achei que ia aliviar escrevendo tudo isso e, relendo uns pedaços, estou pensando seriamente em jogar esse escrito numa gaveta escura (não vou fazer) e esquecer dele por estar muito confuso e... ah, que se foda. Vou abrir o blogger e... hey, você está dentro da minha cabeça. Como diz uma música do Black Alien "cuidado pra não tropeçar, a mesa ainda ta aqui, porém mudei certezas de lugar"


Não revisei e nem vou, porque se começar a reler vou deletar partes inteiras então, desde já desculpa o textão e os eventuais erros de palavras escritas. De qualquer forma, obrigade quem leu e, se quiser deixar um comentário, fica a vontade.


Até breve o/


~ Lu

sábado, 5 de fevereiro de 2022

CdF - Outras histórias: Hello World

Dois anos haviam se passado desde aquele período onde Rafaela foi afastada do conselho da Lótus. No regresso dela a empresa sofreu financeiramente com alguns acionistas debandando, porém no começo do segundo ano um dos maiores grupos educacionais do mundo viu potencial e investiu pesado, o que permitiu um crescimento ainda maior com todos os benefícios aos funcionários que a mandatária gostava de manter.


Outra tarde de sexta começava e, no setor de comunicação a baixa demanda daquele dia permitia inúmeras conversas paralelas e revisão de conteúdos já aprovados, variações de peças já usadas em outros anos para servirem de gaveta ou um mero referencial. Desde a saída de Borges, Bethina assumiu a chefia do setor e, na estante ao fundo da sala podiam se ver alguns troféus em premiações de comunicação, ainda faltava o peixe grande que viria da Riviera Francesa, porém todos ali sabiam que ele viria, mais cedo ou mais tarde.


Dois andares acima Pablo, um dos responsáveis por manter o site da Lótus funcionando bebericava uma caneca de café pensativo. Haviam dias que ponderava se deveria dar esse passo, esse salto no escuro. Lembrou-se de um dos seus personagens de jogos preferido, onde ele subia as torres mais altas e pulava em uma carroça com feno, esse era o salto de fé. Ajustando os óculos que insistiam em correr pelo nariz o jovem de cabelos escuros, pele branca, corpo com IMC dentro do que se tem por normalidade e vinte e três anos de idade abriu uma tela extra além do compilador java que denunciava dezenas de erros no código, menos mal, antes eram centenas.


Com dois cliques em um ícone logo abaixo da lixeira ele abriu o software de envio de mensagens para qualquer pessoa na empresa, tudo de forma criptografada e usando os próprios servidores da Lótus como motor, nada estava na internet dentro desse programa. Correu a lista de possíveis nomes. Ana, Beatriz, Bethina, Carlos, Eduardo, Fernanda, Freya. Parou. Um clique decidido em cima do nome da redatora senior do setor de comunicação. Digitou uma frase e ponderou se devia enviar. Um alt+tab e a compilação ainda estava em curso tinha mais alguns minutos de espera que poderiam ser buscando mais café ou dando o salto de fé.


- Dona Fernanda - Optou pelo salto - Posso falar com a senhora?


O silêncio o sufocou mais que o dia em que, por uma miserável ponto-e-vírgula toda a parte responsiva do site parou de funcionar. Foram os dezesseis minutos mais tensos de sua vida até agora. Online. Digitando.


- Claro - Do outro lado da tela Fernanda tentava entender o que alguém do T.I. queria com ela, será que tinha clicado em algo que não devia? - Pois não? - Um instante se passou, Pablo, agora com a respiração mais cadenciada pousou as mãos sobre o teclado, seu ímpeto foi congelado - Mas antes - Parada cardíaca do jovem - Sem essa de senhora, não sou tão velha assim haha.


O suor frio correu a espinha por todas as suas vertebras mesmo com o ar condicionado ligado. "Respira fundo, vai, agora você consegue." pensava enquanto as mãos voltavam para o teclado.


- Gostaria de conversar com você, se possível pessoalmente... tem como?


- Tem sim - Fernanda franziu o cenho pensando na frase de Bethina que um dia a curiosidade a levaria à ruína, claro que ela dizia isso em um contexto do eterno jogo de RPG que nunca terminavam - Onde?


- Aqui na T.I. tem muita gente.


- Aqui na comunicação só tem gente haha - A redatora ajustou uma mecha de cabelo atrás da orelha percebendo que poderia ser algo grave - Eu conheço um lugar... você tem como sair agora?


- Tenho, me dê cinco minutos.


- Perfeito, te encontro na porta do seu setor.


- Beleza.


Pela cabeça de Fernanda passou um milhão de coisas, desde um admirador secreto até alguém que descobriu o segredo da Rafaela e queria saber o que fazer com a informação, enquanto subia os dois andares pelo elevador pensava porque ela, em meio a dezenas de funcionários, tinha sido a escolhida. Talvez porque fosse uma das funcionárias mais velhas da empresa, quase... seis anos. Bastante tempo. Quando parou na porta do T.I. podia sentir o ar gelado vazando por baixo da porta e pensou que ali deveria estar metade de conta de luz do prédio inteiro. A porta se abriu e o polo norte vazou um instante.


- O-obrigado por vir - Pablo tinha o olhar caído - Dona Fernanda.


- Esquece essa coisa de dona - Ela tocou sutilmente o ombro do rapaz - Me chama só de Fernanda.


- Ta bem... Don.. Fernanda.


- Melhor assim - A redatora sorriu - Vem, conheço um lugar ótimo para conversar, sem distrações.


- Onde?


- Lá em cima.


- Em uma das salas de reunião da presidência? - O jovem acompanhava Fernanda que trajava uma saia longa que lhe deixava apenas os pés fora do tecido e, na parte de cima uma blusa com estampa desbotada. - Mas... lá não é... só da presidência?


- Não, é mais pra cima - Do bolso da saia Fernanda tirou a chave que tinha cópia faziam seis longos anos - É no terraço.


- No terraço? - Pablo estranhou que Fernanda tivesse a chave, porém tinha ouvido falar da horta que havia ali. 


Tão logo a porta foi aberta a brisa jogou os cabelos de Fernanda para trás como uma onda. Já pablo, com camisa social, calça jeans e cabelo cheio de gel pouco foi afetado pelo vento. Um pequeno corredor entre painéis solares e uma horta com alface, couve, morangos além de temperos diversos culminava em um par de bancos com vista para a área não tão povoada da Metrópole. Sentaram-se.


- Então, o que queria conversar?


- Eu... - Pablo não sabia por onde começar, tinha ensaiado essa conversa tantas vezes na sua mente que agora estava procurando a palavra, era como se o seu código-fonte tivesse um erro crasso e não mostrasse nem mesmo um hello world. Respirou fundo uma, duas, na terceira a compilação da sua linguagem funcionou - Desculpa falar assim... Mas, desde que descobri que a senhora... digo, você é uma mulher trans eu...


- Tem curiosidade em saber como é? - Fernanda sentiu um pouco de raiva do rapaz na sua frente, era mais um nerd curioso querendo saber se ela tinha cortado o pau fora, se sentia prazer, se toparia alguma coisa a mais, ela ponderou sair e cantar a pedra à Freya que tomaria a decisão em demitir ou não - É sério, me fez sair do meu posto por uma curiosidade adolescente?


- Não não, calma. - Pablo tentava compilar o código da fala o mais rápido que conseguia - Aqui - Ele pegou o celular, desbloqueou e abri as fotos - Eu às vezes gosto de me montar como menina e...


- ... E você acha que pode ser trans? - Fernanda respirou profundamente mal olhando a tela do pequeno aparelho, não era a primeira vez que via algo assim - Sugiro você procurar uma psicóloga, o plano de saúde da firma tem umas ótimas.


- Não, não é nada disso - O rapaz tentava controlar sua oxigenação para que pudesse ter clareza no pensamento - Eu gosto de ser homem, eu só queria... sei lá, uma amiga.


- Estou ouvindo - Fernanda baixou a guarda, ele parecia com ela, anos atrás - O que exatamente espera?


- Eu moro em uma quitinete a meia cidade daqui, vim do interior do estado trabalhar na Lótus, mesmo morando aqui faz alguns anos eu não tenho amigos... - O olhar de Pablo se iluminou - Porém quando eu soube da sua história, da sua jornada eu fiquei... impactado.


- Impactado como?


- Bem... - Um sorriso se desenhou no canto dos lábios dele - ... Eu li o seu livro e gosto da ideia ser crossdresser, porém sozinho não tem graça... 


- Bom, você tem a internet inteira né?


- A internet é legal, mas falta... humanidade.


- Saquei. - Fernanda ainda tentava pensar o que faria por ele. - Mas assim... beleza, a gente é amigo e aí? Você vai querer que eu vá na sua casa e fique te vendo se montar?


- B-bem - A ideia de Pablo em linhas gerais era essa, no entanto lembrou do Altaïr e resolveu dar seu segundo salto de fé do dia - Eu acabei vendo nas suas redes que você e a dona Bethina vão em eventos de anime... cosplay e essas coisas...


- E você quer uma carona?


- É... sei lá, algo assim...


- Alguém junto para te dar coragem de sair do armário.


- Tipo isso, mas sem a parte do armário, eu estou de boa com minha sexualidade...


- Então o problema são só as roupas?


- São, como vim de uma cidade muito pequena eu fico encucado com isso, fico achando que é errado e...


- Tudo bem - Fernanda entendeu o ponto dele, se tivesse tido esse apoio desde o começo talvez as coisas tivessem sido menos traumáticas e demoradas - Só que eu vou precisar falar com a Bê primeiro... mas ela é... de boa... que dia é hoje...


- Seis...?


- Ah, perfeito, a TPM dela já foi, fica mais fácil de domar a fera.


- Então...?


- Eu vou te ajudar, vou testar meus dotes de maquiadora - Fernanda, enfim, olhou as fotos com mais esmero - E vou te passar o contato de uma mina que faz roupas sob medida, mas relaxa, ela é bem discreta e não é careira... foi ela que fez meu vestido de noiva inclusive.


- Sério? - Pablo tinha os olhos marejados por trás dos óculos - Só...


- Eu sei, não vou falar com ninguém, só com a Bê... me adiciona aí na sua agenda que, durante o final de semana, quem sabe, marcamos algo.


Se abraçaram enquanto Pablo voltava a agradecer Fernanda. Caminharam sendo brindados pela brisa Leste-Oeste que, ela jurava, sentir o cheiro do mar vindo junto do vento. Antes de passar pela porta ela pegou um galho de manjericão, molho de tomate ficava infinitamente mais saboroso com ele.


Ao fim da pequena escada que levava do andar da sala da presidência ao terraço se despediram. O jovem entrou no elevador enquanto Freya, no fundo do corredor olhava fixamente para Fernanda que a cumprimentou com um aceno de cabeça. A secretária leal de Rafaela fez um gesto como quem diz que está de olho. A redatora fez uma careta e mostrou a língua relembrando o que já tinham vivido juntas. Quer dizer, Fernando viveu, Fernanda meio que só assistiu. Por oito andares ela pensou em fazer uma sessão com Rafaela, Freya, Vali e aquele outro rapaz que aparecia esporadicamente na cobertura. Será que Bethina toparia? Soltou o ar pesadamente voltando ao setor de comunicação que estava idêntico a pouco menos de uma hora atrás. Menos mal.