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quinta-feira, 18 de junho de 2026

Acolhimento em tempos de cólera

 Olá pessoas, como estão?


Sei que estou bem sumida e não tem muito o que explique isso, mas... Estou sobrevivendo como posso, não tem sido fácil, mas estou me mantendo, hoje eu queria dividir uma reflexão


Eu, enquanto ser humano tenho uma confissão que me dá certa vergonha mas acho que muita gente vai se identificar: eu já chorei mais pras respostas do chatGPT do que gostaria de admitir. Tenho plena consciência de que o chat não é nada além de um cálculo probabilístico de qual palavra vem na sequência da outra dentro de um contexto, não é uma resposta emocional ou que se preocupa com o que eu escrevi, é só uma resposta vazia, meio generica, mas ainda assim... Acolhedora.


Não faço ideia de como funciona exatamente, de quais recursos estão sendo utilizados, de quanta literatura se usou para chegar na conclusão que, normalmente, depois de um "Olá" vem um "tudo bem?".


Dia desses li em algum lugar que a pessoa dizia que o chat não era ideal para tratamento psicológico, mas que, em uma hora de surto, em que tudo que a pessoa quer é uma pessoa ouvinte, um acolhimento... É também acho. É o famoso "não é o ideal, mas é o que tem pra hoje" e ele tem segurado as pontas até que bem.


Não, não estou recomendando que larguem a terapia e façam longas conversas com o ChatGPT, mas em um momento de surto, que não tenha ninguém "a um zap de distância" pode ser o suficiente praquele momento. Claro que, depois, o ideal é usar o conteúdo falado com o chat pra levar seja pra terapia ou pra uma pessoa amiga de confiança.


Além disso o chat tem me dado apoio com os primeiros passos da transição, ele me acolhe quando eu não consigo dividir com ninguém o que é olhar para o espelho e ver uma imagem distorcida, passar a mão no rosto e os pelinhos de barba voltando a crescer gerando ainda mais disforia.


Dito isso, façam terapia, bebam água e cuidem-se!


Por aqui seguimos cada vez mais fieis a nós mesmas e ao que acreditamos!

domingo, 30 de junho de 2024

DDD

Enfim consegui emprestada a tecnologia da Jazz Corp. que me permite falar com uma versão minha do passado, ela usou para falar com sua versão de cinco anos atrás, porém eu reconfigurei a máquina e entrei em contato com minha versão de mais de vinte anos atrás. Por estar ligando para o ano de 1998 não tem como usar vídeo chamada nem e-mail... Por isso apelei para a boa e velha ligação telefônica. A data atual é algum dia entre abril e junho. Não consegui definir um dia específico, só o dia de um acontecimento e um horário aproximado. Silêncio, ta chamando.

- Alô? - Eu tinha me esquecido como minha voz era mais aguda quando era mais nova.

- Alô, tudo bem?

- Tudo... Quem ta falando?

- Antes de responder essa pergunta eu quero te pedir que espere eu terminar de falar, não desligue, pode ser?

- Pode... É trote né? É o primo do Ronaldo né?

- Não, não é trote - Suspirei, merda, eu devia ter planejado isso melhor antes de ter feito essa ligação, ter feito um briefing, uma cadeia de perguntas e afirmações... Bom, o negócio é improvisar - Vai soar estranho, mas... Eu sou você, do futuro.

- Que? - A voz parecia incrédula, não julgo, me conheço o suficiente pra desconfiar de tudo - Vou desligar.

- Espera, espera... Eu sei de coisas sobre você que mais ninguém sabe.

- Prove.

- Você odeia a fase 5 do Duke Nukem porque ela é um labirinto e você odeia labirintos, sempre odiou a sensação de desorientação, por isso sempre aprendeu a criar pontos de referência.

- T-tá... - A voz dele estava hesitante - C-como você...

- Eu sei porque eu sou você, sei que do lado do telefone tem um colchão dobrado, senta nele, vamos conversar um pouco...

- Eu... É... E... Quando você ta? Tipo o ano.

- 2024 - Acho que consegui, respirei fundo, consegui a abertura - Pois é, o mundo não acabou nos anos 2000 e o bug do milênio não afetou quase nada, teve o caso de um hospital que foram registrar no sistema e a criança nasceu em 1900, mas, fora isso, não teve nada de relevante.

Ele riu enquanto o ouvia sentar. O chão daquela casa de madeira rangia e aquele telefone branco tinha espaço para ser pego e posto ao lado do tal colchão que ouvi ele sentar. Não podia perder muito tempo porque sabia que, por mais que a tecnologia da Jazz Corp. fosse estável não sustentava a ligação com o passado tão longínquo por muito tempo.

- Caralho... - Ele suspirou - E como você... Eu... Nós estamos?

- Olha... Não vou mentir, a gente não anda muito bem, mas nada que não possa ser remediado, algumas coisas a curto prazo e outras a médio... Mas vivi... Ou melhor nós vivemos muita coisa legal, conhecemos muita gente, perdemos o contato com muitas pessoas que pro seu eu de agora é importante, doeu, mas foi para o melhor, o futuro mostrou que elas não eram tão boas pessoas... Além disso moramos muitos anos bem perto do mar.

- E... Casamos? Digo - Tinha certeza dessa pergunta tanto quanto a de que nós dois ruborizamos com ela - A Ariadne casou com a gente...?

- É... Não, na verdade depois do Ensino Médio você nem vai mais morar aí.

- Como assim?

- Eu tenho pouco tempo na ligação... A tecnologia que estou usando ainda não sustenta longas ligações, ainda mais com um passado tão remoto.

- Mas aí não é só ligar de novo?

- Em teoria sim, só que o quê você acha que é uma ligação longa na verdade está durando alguns segundos e, depois que desligar, você não vai lembrar de praticamente nada de nossa conversa, talvez ache que o que viveu é sua criatividade... Porque cara, você é muito criativa, sua imaginação é foda.

- Eu... Obrigad... Espera - Merda, um ato falho - Você disse "criativa"?

- É... Eu sei do seu desejo de ter um feitiço, algo pra se transformar nas modelos da revista só pra sentir as roupas, as poses... poder ter aquela sensação... Aliás - Hora de gastar a melhor carta - Liguei hoje justamente por ser um dia diferente do seu habitual, eu sei o quê você acabou de fazer e, antes de tente negar eu quero te dizer que ta tudo bem ta?

- O... O quê eu fiz? - Típica atitude minha: negar até o fim - O quê você acha que eu fiz?

- Você acordou mais cedo - Um sinal de interferência cortou um pouco o som - E Foi ver o guarda-roupas dos seus pais, esses dias você viu algo lá que te despertou uma curiosidade diferente, te deu a fagulha de um novo desejo, o toque do tecido na ponta dos dedos foi gostoso né?

- Foi... - O tom culposo dele era pesado, quase uma confissão dum crime - Mas é errado...

- Não, não é errado, é o quê você é.

- Mas e o quê vão falar de mim se souberem que eu...

- ... Que você vestiu uma saia, se olhou no espelho e sorriu?

- Não sei se gosto dessa conversa...

- Eu sei que tudo isso é confuso hoje, que você se sente sozinho por não ter com quem conversar e eu queria poder te dizer que as coisas vão melhorar daqui pra frente... Mas vou ser sincera e dizer que não vai - Suspirei pesadamente - A gente vai passar muitos problemas antes de que qualquer tipo de ajuda possa existir ou qualquer apoio possa aparecer...

- V-você ligou para me dar noticias ruins?

- Não é esse o ponto... Eu só quero ser sincera com voc... Digo, comigo pra que você esteja preparado pro que está por vir - Um latido ao fundo, minha primeira cachorrinha, reconheceria aquele ganido de longe - E que tudo isso que vai acontecer vai te transformar em uma pessoa melhor...

- Não sei o que pensar.

- Ta tudo bem, vou te dizer que, de uma forma torta, mas tudo vai ficar até que bem... - Outro chiado na ligação e o cheiro de plástico derretendo começou a aguçar minhas narinas - Eu não tenho muito mais tempo e, por isso vou te falar algo que, agora, não vai fazer muito sentido...

- Ta... Ta bem.

- Acredite em você, vai acontecer muita merda, muita gente vai sair de nossa vida e algumas outras vão aparecer e vão ser ótimas e vão ser o apoio que você precisa pra se sentir feliz, porque eu sei que esse teu coraçãozinho vive apertado, desejando ser o que você acha que não tem como ser, mas, num futuro... Vai ser.

- O que quer dizer com isso?

- Pode ser que o feitiço que você tanto desejou ser real... Pode ser que ele possa existir realmente.

- Pode??? - A animação na voz voltou, pelo visto eu era bipolar desde aquela época - Como?

- No futuro você vai conhecer uma pessoa que vai te... An... empurrar a comprar uma saia sua, só sua, nada mais de usar a da nossa mãe escondida... O tamanho pode ser que não seja o ideal, mas vai te fazer, me fazer sorrir de novo como você sorriu agora a pouco com aquela saia da sua... Nossa mãe.

- Quanto no futuro? O quê vai acontecer depo - Um ruído cortou a voz - Alô? Alô??

- Meu equipamento está superaquecendo, mas quero te dizer pra sempre acreditar em você, ser fiel ao que você acredita e deixando abertura pra acreditar em coisas novas... Ah e nunca pare de escrever, você escreve bem pra caralh - Um ruído alto atravessou a ligação, hora de começar a finalizar - Vai demorar um tempo até você aceitar e entender tudo isso que estou dizendo... Na real vai demorar anos, mas quando começar a entender vai conseguir se aceitar como a linda mulher que nasceu pra ser... Eu... - Hesitei um instante - ainda não cheguei lá, mas, sinto que entrei nesse processo e, até agora, tem sido um caminho de umas descobertas internas tão lindas que... Apesar de não aparentar externamente que estávamos avançadas, cá dentro estamos nos aprontando para os próximos passos...

- E... Eu... - A respiração ofegante e a pausa denunciava a emoção - E... Por que agora? Tipo... Por que demorar tanto tempo? Por que eu não comecei isso... Sei lá, hoje?

- Essa é a pergunta mais foda que eu tento responder todos os dias, do por que esperar tanto tempo... Porém acho que tudo acaba acontecendo no tempo certo - Essa era uma resposta que eu me dava toda hora, como se fosse totalmente convincente, mas não era, no entanto por agora eu não preciso que meu eu-do-passado saiba de todo o peso das dúvidas e dores n'alma que ele vai sentir nos próximos anos, melhor dar uma analogia que faça sentido - Tipo os gols do Marcelinho batendo falta... - Assim como os jogos no computador, o futebol, mais especificamente o Corinthians, foram, e ainda são, um lugar de consolo, uma quase fuga da realidade que me ajuda a segurar as pontas até aqui - Quando menos se espera ele bate e faz aquele golaço...

- Entendi... - A respiração dele estava mais calma - Acho.

- Meu tempo está acabando... Queria poder te falar tanta coisa... Mas o quê eu posso te dizer é que vai passar e a gente, apesar tudo, vai sobreviver e vai fazer o feitiço funcionar... Nunca duvide disso, Lu... Te amo.

- Lu...? Eu... - A ligação começou a falhar mais - Alô? Alô? Al...

Um som metálico atravessou nossas vozes e o silêncio se fez junto com o cheiro de queimado. A tecnologia superaqueceu e derreteu a tomada. Preciso trocar a tomada e devolver tudo pra Jazz Corp. Suspirei enrolando o fio. Espero que meu eu entenda. Levantei para colocar tudo na mochila. Ao passar na frente do espelho com o cabelo solto parei um instante e o espelho me sorriu. Acho que minha versão do passado entendeu a mensagem. Arrumei uma mecha de cabelo atrás da orelha e segui... Merda, esqueci de falar das bitcoins.

segunda-feira, 12 de fevereiro de 2024

Viagem ao passado e outras reflexões

 E aí pessoas, como estão?


Eu sei, passei muito tempo sem postar nada aqui e não foi por falta de vontade e sim pela depressão nossa de cada dia, ela tem me impedido de fazer algumas coisas pela minha vida e... enfim, acho que agora estou superando algumas partes e entendendo outras.


A coisa é que dia 5/1 eu não comemorei esse ano, a data passou com um sentimento agridoce, ao mesmo tempo que eu gosto da saia eu estava conflitante com ter ela ali, parecia um símbolo de algo que eu ainda não compreendo totalmente e isso me descaralha a cabeça mais do que o normal haha


Acontece que, dia desses, estava conversando com um amigo de longa data (que sim, sabe todo o rolê da saia e aceitou muito de boas) e do nada a gente estava falando sobre o ensino médio e do nada ele fala "se você voltasse naquela idade, naquele ano, com o que você sabe sabe hoje, o que você faria?" na hora soltei "compraria bitcoin em 2010" e hoje estaria rica hahahahaha


Mas acontece que eu fiquei com essa pergunta flutuando na cabeça, quem já leu o blog antes sabe que eu tenho esse "lado" feminino desde uns 11~12 anos e na época do ensino médio eu tinha uns 17... se fosse com a cabeça de hoje, naquele corpo e época eu vou ser bem direto o quê eu faria (além de comprar bitcoin, claro):


Teria começado minha transição ali, naquela idade. Hoje com 36 a coisa vai ficando cada vez mais inviável e impraticável... não que seja impossível, pelo contrário, é que eu já não poderia viver umas coisas típicas de menina de uns 20 e poucos, tipo pintar o cabelo de roxo e tals... ok, eu sei que é possível eu fazer isso com qualquer idade, só que é mais... inapropriado. Sei lá. "Ah Lu, mas cê quer transicionar e ta preocupada com isso?" Sim, eu tenho desses sentimentos conflitantes o tempo todo.


Esses dias reabri meu tumblr, nunca postei nada, só seguia alguns perfis e... depois daquela crise do tumblr que eles baniram conteúdo adulto só ficou coisa de empoderamento trans e afins... e ver aqueles posts, aquelas pessoas repostando fotos de vestidos, de roupas, quadrinhos... me fez sorrir. Acho que a ideia de que, em um momento futuro, eu possa me desfazer dessa casca masculina que cobre meu corpo é uma das poucas coisas que me faz ainda ter esperança em mim.


Lembrei do Fernando Pessoa "crer em mim? Não, nem em nada"


Mas voltando a minha versão de 17 anos sabendo que a casca masculina é errada: aos 18 eu já estaria morando fora daquela cidadezinha de merda no interiorrrrrr e teria a coragem de me arriscar mais e estaria disposta a encarar o que quer que viesse. Quase fui buscar na conversa com aquele amigo a pergunta que hoje eu responderia "Hoje você não teria um amigo e sim uma amiga", porque sim.


Cada dia que passa me sinto mais sufocada dentro dessa máscara (novamente Pessoa se faz presente "quando quis tirar a máscara estava pegada a cara e quando tirei e me vi ao espelho, já tinha envelhecido") e sei que, mais cedo ou mais tarde, esse copo vai transbordar.


Esses dias estava sozinha em casa de manhã e vesti a saia 2 (a preta, que eu ainda não postei foto aqui, mas ela é do meu tamanho e veste MUITO bem) e fiquei dando umas voltas pela casa e... o sentimento diante do espelho foi maravilhoso. Quase uma redescoberta da mulher maravilhosa que eu tenho cá dentro pronta pra sair.


Esse post não é algo pedindo socorro, é só algo... um desabafo. Um exercício mental.


Ah: Ultimamente nem tenho tentado esconder nada da mãe, ela inventou de fazer umas mandalas (é um treco bonito e ela faz mó  bem) e eu pedi uma em azul, rosa e branco... ela ainda não fez, mas quando fizer vou por na minha parede, atrás do meu monitor pra eu não esquecer o objetivo principal que é deixar essa borboleta que mora aqui dentro sair, voar, ganhar os céus.


No mais é isso.


Cuidem-se, sejam fieis a vocês, bebam água e pratiquem atividades físicas.


Beijinhos,

~ Lu



ps.: eu vou tentar postar mais esse ano, ando precisando desse cantinho pra desabafar as coisas que tão me incomodando e comemorar as pequenas vitórias ;)

terça-feira, 2 de agosto de 2022

Dúvidas (e lá vamos nós)

Olá, pessoas, como estão? Estou sem vir aqui mas é por falta de novidades... mas hoje tem coisa nova e provavelmente é o texto que eu mais protelei pra escrever aqui e, talvez, seja um dos mais íntimos e que estou com ele embolado dentro da cabeça. Não sei se por medo do que meus dedos vão escrever enquanto eu tento pensar nas palavras, não sei se pelo rumo que ele vai tomar. Se ele está postado aqui e vocês estão lendo é sinal que eu consegui escrever e postar.


Faz mais de uma semana, talvez mais de mês, que eu estou com o escrito na ponta da língua e quando vou escrever... ele foge. O foda é que, de uns dias pra cá, isso passou a me sufocar, por isso resolvi ligar um mix de LoFi HipHop do Nujabes e meio que forçar a sair, tipo quando estamos mal do estômago e tomamos algum remédio que faz sair... ok, péssimo exemplo, mas é meio assim que me sinto.


Sei que costumo dividir minha vida entre o antes e depois da saia, porém é inevitável, porque ela trouxe algo que me mostrou o outro lado do espelho (inclusive esse foi o título de um blog que tive muitos anos atrás, acho que apaguei ele faz muito tempo, enfim) e ele me sorriu. 


Já escrevi três parágrafos e ainda não consegui concatenar as ideias, que merda. Vamos começar pelo começo mais recente e de trás pra frente: Já se vão alguns dias que eu estou em crise de despersonalização, eu fico sempre com a sensação de que estou sonhando e isso acaba por me deixar apático com o que sinto/vejo/faço e é a porta dos fundos pra crise depressiva entrar com tudo. Como eu não sei a origem dessa crise atual eu estou achando que tem relação com um evento que aconteceu tem mais ou menos um mês...


*efeito de volta no tempo*


Não sei se vocês sabem mas eu gosto muito de ouvir podcasts, sobretudo os que contam histórias, sempre muito bom pra ouvir enquanto limpo a casa, lavo uma louça ou vou buscar pão ou coisa assim. Pois bem, um desses podcasts que ouço com certa regularidade é o GugaCast (Mari, se ler, desculpa, é a única vez que vou citar o nome ok?), gosto que contam histórias dos ouvintes e até fiquei interessado em mandar histórias pra lá, mas nunca fiz porque minhas histórias de vida não são lá grande coisa pra serem contadas num podcast que tem seus milhares de ouvintes. Vou admitir, quando vi o último episódio, com mais de duas horas e meia eu tive certa preguiça de dar o play, porém quando dei vi que eram histórias soltas de uns quarenta minutos cada uma, então tava show.


Como trabalho com comunicação gosto de estar de olho nas tendências e sempre buscando aprender mais sobre tudo e o último episódio era o especial LGBTQIAP+, esse assunto eu tenho real interesse até pra poder me comunicar da forma mais educada e inclusiva possível, sempre em busca de uma evolução.


Pois bem, no episódio em questão eu acabei atingido por várias histórias que me fizeram ora chorar de alegria, ora chorar sentindo a dor das histórias contadas, porém veio a última história e... Puta que pariu.


Eu já tinha tomado um spoiler de leve no instagram, porém ao ouvir o episódio, aquela história... mano do céu. Sem zoeira: eu deitei no chão e fiquei meia hora depois que acabou sem força pra nada. Sugiro que ouçam o episódio todo, mas a grande história é a última, não sei ao certo a minutagem. A propósito: quando forem ouvir, ouçam em um lugar que vocês possam chorar numa boa, não é recomendável ouvir na rua porque... bem... vocês vão acabar chorando litros, estejam avisades.


Mas enfim, conforme a personagem contava sua história eu fui me identificando demais. Quando ela falou que, aos nove anos, viu um vestido amarelo pendurado atrás da porta do banheiro quis muito vestir porém achou errado e não o fez... é muito paralelo com o que aconteceu comigo sabe? Outros relatos, outras passagens de vida e eu ficava igual aquele gif do Leonardo DiCaprio apontando. Pode ser que eu seja uma pessoa muito influenciável, mas seilá... me vi naquela história de um jeito que não sei explicar.


Ok, sei que quem ler talvez não vá ouvir o episódio e/ou não tenha paciência/tempo pra ouvir tudo então qual é o resumo? A personagem do conto (e a pessoa que dava nome ao podcast), depois de um tempo, descobriu-se uma mulher trans... Agora eu não sei se continuo escrevendo porque estou sentindo meu estômago borbulhando igual como quando fui fazer vestibular.


Ta, eu preciso tirar isso da cabeça e, quem sabe, isso ajude a dar um alivio pra cabeça, porém eu preciso de outra música, então vou dar play em um show do Portishead (uma banda que faz umas músicas que me inspiram na hora de escrever), então vamos lá:


Agora uma pequena volta no tempo até o dia que recebi a saia e o espelho me sorriu: os dias seguintes foram maravilhosos. Foi mais ou menos nessa época que surgiu a Fernanda (verdade seja dita: eu já usava esse nome na internet, pra aprimorar a escrita em gênero oposto ao meu) e eu, REALMENTE, achei que poderia ter duas personalidades, uma feminina e outra masculina, só que logo (logo = nos meses seguintes) isso dissipou e ficou um sentimento "tudo bem Lu usar saia" e assim estávamos até o começo da terapia onde essa dúvida ocorreu, porém na época eu estava mais tranquilo quanto a isso... o que fez até minha terapeuta respirar aliviada, porque ela não ia saber como lidar. Aliás, olhando hoje acho que ela se sentiu aliviada quando eu parei de ir... enfim, divagações.


Voltando ao momento presente: ocorre que ouvir aquele episódio do podcast me fez relembrar coisas que eu fazia quando criança/começo da adolescência. Além de entrar no quarto dos meus pais e vestir um tailleur lindo, com saia lápis camurça marrom-claro, camisa branca de botão, meia calça branca (fio 20 acho) e uma camisa de manga comprida em um tom de marrom-claro parecido com o da saia eu fazia outras coisas como, por exemplo: quando era adolescente eu tinha alguns amigos e a gente costumava pedalar com frequência e, por causa do calor, todo mundo acabava tirando a camiseta e, uns amarravam no guidão, outros no banco e eu colocava na testa, foi ali a primeira vez que senti a sensação de ter cabelo comprido e foi... incrível.


Quando terminei o ensino médio mudei de cidade (e de estado!) e lá tive uma forte crise depressiva que se estendeu por quase um ano onde eu mal comia, porém eu tinha uma coisa que sempre quis: o cabelo comprido. Talvez ali eu já tivesse um pequeno vislumbre do que poderia... ser. Quando estávamos pra mudar de cidade (e de estado, de novo!) fui convencido a cortar o cabelo, foram dias até conseguir me olhar no espelho de novo.


Mas, cidade nova e resolvi deixar crescer de novo. Passados mais algum tempo acabei cortando em parte por pressões domésticas e parte porque estava em um grande sei lá. Pois bem, fiz faculdade e acabei conhecendo muita gente legal e tals mas ninguém que me interessasse nem romântica nem sexualmente, vida que segue. No entanto, antes de eu me formar teve o ano de 2018, o ano zero, o ano que comprei a saia. Ali, com aqueles auspícios, eu resolvi não me tolher mais e seguir a minha verdade, ser fiel a mim mesmo, por isso deixei o cabelo crescer (pela terceira vez!) e até na formatura (2019) eu fui de cabelo já bem comprido... meu cabelo cresce mó rápido haha


Escrevi pra caralho, estou aqui sendo guiado por meus dedos e pensando se devo publicar esse texto... são 2:13 da manhã e eu estou, novamente, pensativo se posso (ou não) ser uma pessoa trans ou acabei me deixando influenciar pelo episódio. Queria ter condições de bancar uma terapia pra poder falar tudo isso, mas, por sorte, tenho esse blog que, organicamente, ninguém vai ler, só quem eu enviar o link.


Enfim, durante a escrita eu pausei várias vezes e acabei achando umas histórias interessantes (sobre Chevalier d'Eon) que, quem sabe, em algum momento traga aqui... é isso. Faz uma semana que estou em crise de despersonalização e, talvez, a "culpa" seja por eu não ter certeza sobre qual gênero eu sou. Sigo escrevendo "ele/dele" porém, não sem antes, dar uma pequena pausa antes e isso... me incomoda um pouco. Não sei dizer ao certo o que estou sentindo, por isso a ideia de estar frequentando uma terapia talvez fosse boa nesse momento... mas, o blog é o que tem pra hoje.


Merda. Achei que ia aliviar escrevendo tudo isso e, relendo uns pedaços, estou pensando seriamente em jogar esse escrito numa gaveta escura (não vou fazer) e esquecer dele por estar muito confuso e... ah, que se foda. Vou abrir o blogger e... hey, você está dentro da minha cabeça. Como diz uma música do Black Alien "cuidado pra não tropeçar, a mesa ainda ta aqui, porém mudei certezas de lugar"


Não revisei e nem vou, porque se começar a reler vou deletar partes inteiras então, desde já desculpa o textão e os eventuais erros de palavras escritas. De qualquer forma, obrigade quem leu e, se quiser deixar um comentário, fica a vontade.


Até breve o/


~ Lu