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sábado, 9 de janeiro de 2021

Dois

 

Passou o dia 5 e, por N motivos eu não consegui postar o que eu queria... então esperei o dia certo pra fazer esse post. Então é hora de estralar os dedos e escrever um pouco.


Mas o que tem o dia 5 de janeiro de tão especial? Simples: faz 2 anos que eu recebi a saia, aquela que foi o divisor de águas do que eu era pro que eu sou. Foram tantas descobertas, tantas coisas que fixei no meu novo eu que acho que não consigo descrever em palavras sabe? Mas vou tentar.

Tive sessão de terapia (menines, papo sério: façam terapia! Procurando bem sempre acha uma bem gente boa e bem em conta) e comentei o quanto eu sentia que tinha mudado depois da saia e minha terapeuta (que vai ler aqui, pq vou mandar o link pra ela haha) disse "e a terapia?" e eu "a terapia ajudou pra caralho" e ajudou mesmo, porque ajudou a fixar algumas coisas cá dentro.

A primeira e talvez mais importante pra mim é: Não, eu não sou trans. Longe disso ser um problema, mas eu me identifico de boas com meu sexo de nascimento e só curto parecer, a ideia de deixar esse meu lado mais feminino sair pra dar umas voltas, pra fazer umas fotos, passar horas em lojas online fuçando é o meu objetivo.

Uma das coisas que me aquece o coração é a ideia de modelar, fazer do crossdressismo (transformei crossdresser em verbo haha) uma arte e quando eu digo arte é no objetivo principal da arte que é chocar, é causar a estranheza, é provocar o que já está estabelecido e, com isso, transformar um pouquinho que seja a realidade do mundo... aliás, se meus relatos, minhas dúvidas e minhas conclusões ajudarem UMA pessoa a se encontrar nesse mundo confuso já vai me deixar feliz num nível que não vou conseguir explicar.

A segunda é eu ter descoberto que crossdresser é o objetivo que quero, como já disse, é um processo lento, doloroso mas que hoje olho pra trás e vejo que, velho, valeu a pena... ta valendo a pena. E o projeto é seguir em frente, por enquanto não vou falar muito, mas conforme a coisa for ganhando forma vocês vão saber!

Um parênteses antes de encerrar: Os escritos de Fernandes vão voltar, essa temporada (a terceira) é a última... o que não quer dizer que não vou escrever mais pros Contos de Fernandes, mas né... quando eu terminar e escrever tudo que planejei a história vai fechar e depois acaba virando novelão e... não esse é o objetivo.


E que esses dois anos virem três, seis, dez, vinte e que eu possa inspirar outres crossdressers a saírem, fazerem o que der na telha quando quiser! Quem foi que definiu que vestido/saia é exclusivo do vestuário feminino? Nos próximos meses vou trazer um termo novo aqui pro blog que quero expandir, o tal do genderless que se aplica mais à moda e tals, mas ainda vou boltar um conteúdo show sobre isso! Me aguardem ;)

Ah, você menina/mulher que gosta de se montar como menino, aqui tem espaço pra vocês também viu? Se tem uma coisa que esse blog quer é ouvir a voz de todo mundo!


Agora pra comemorar esses dois anos da minha saia (ainda solitária) eu fiz uma foto na laje, durante o dia... não é uma mega foto mas fica de marco especial pra data que passou! Ei-la: 




Cuidem-se, bebam bastante água, cuidado com os embustes, sejam felizes e fieis a vocês em primeiro lugar! 

quarta-feira, 5 de agosto de 2020

Sessão de Terapia

Olá pessoas, como estão?

Sei que quase ninguém lê aqui e depois do livro que virou a história de Fernandes (CdF, pra quem chegou faz pouco tempo, é 'Cronicas de Fernandes') menos gente ainda lê (a média de acessos diz que tem entre 3 e 10 views por post), porém como o objetivo aqui nunca foi fazer sucesso e sim escrever uma história que foi surgindo conforme minhas dúvidas surgiam... é, até que rendeu né? E teremos uma temporada 3? Quién lo sabe? Eu adoro trilogias, quem sabe né? Mas por ora, vamos deixar assim.

A verdade é que criei esse blog como válvula de escape pra mim, uma pessoa confusa no que dizia respeito a sua sexualidade e suas neuras internas. Comprar a saia, pra mim, foi um divisor de águas imenso, me fez bem, melhorou minha auto-estima, porém trouxe consigo dezenas de dúvidas que vou escrever aqui mais como um desabafo do que como algo pra inspirar ninguém ok? Eu estou escrevendo a MINHA jornada até aqui.

O começo


Quando eu comprei a saia em finais de 2018 (juro, parece muito mais tempo) eu dividi minha personalidade, o Lu era o menino-hétero-bonitinho-que-curte-automobilismo e a Fê que era a menina-que-curte-rosa-e-tudo-do-universo-feminino, só que eu não me sentia bem com isso, aí eu comecei a "matar" a Fê, só que né, ficou uma sensação meio de vazio e resolvi pegar a personagem que eu já tinha criado (o Fernando é uma personagem que criei quase como uma fanfic dos escritos da Senhora Pam, o incrível e super recomendado Senhora de Três) e a minha ideia quando comecei a escrever era ir tateando as coisas sabem? Primeiro a ideia da personagem ser a sissy de uma domme era o meu desejo na época, depois a personagem "evoluiu" pra crossdresser (onde passei também) e por fim se descobriu que a personagem é, na verdade, uma mulher trans.

Eu não sei quantos de vocês que leem aqui também tem o hábito de escrever, mas quando eu escrevo eu não controlo o que minhas personagens vão fazer sabe? Eu tenho a ideia e deixo fluir e no fim eu acabo me surpreendendo com os rumos do que escrevo, por isso o próximo paragrafo...

No meio pro fim do ano passado eu estava realmente achando que eu poderia ser uma pessoa trans, sério mesmo, já estava lendo relatos, vendo os remédios que se toma e todo o processo, porém a ideia não me satisfazia, ela era como uma febre terçã, durava pouco e não era o caminho que eu queria... e assim o ano de 2019 se arrastou comigo usando a saia vez ou outra e contanto pra algumas pessoas e aí vem o próximo parágrafo.

Felicidade compartilhada


Como já contei naquele post eu senti uma alegria tão intensa e imensa por ter realizado isso que eu quis berrar pra todo mundo. Só que quase instantaneamente veio a realidade e falou "ow peraê" e lembrei que moro em Santa Catarina, um dos estados mais homofóbicos/racistas do Brasil (aqui é tutu alemón) então respirei fundo e, durante o ano de 2019, eu fui escolhendo a dedo as pessoas que eu falaria sobre e todas (até o momento umas 10 mulheres e 2 homens (tenho mais amigas que amigos, fazer o que né?)) super compreensivos, alguns até me falaram que era tão bom me ver feliz com algo (relembrar isso me mareja as vistas), porém tem uma única pessoa que eu queria falar só que por ora não tenho como que é minha mãe (Fernandes, te invejo) e acho que é isso que me falta pra ter uma felicidade interna plena... mas se a reação de todo mundo foi boa por que eu acho que da minha mãe vai ser diferente? Não sei. Esse é um dos mistérios da vida.

Um outro caminho


Comecei 2020 com um emprego na área que sou formado (publicidade) e o panorama era o melhor possível, estava conseguindo guardar uma grana, no meio do ano ia viajar pra SP pra "sentir" a cidade e conhecer pessoalmente algumas pessoas que só conheço da internet e em dezembro/janeiro eu pegaria as férias e ia de novo pra SP procurar emprego na minha área e, encontrando, eu me demitiria e ia pra cidade que quero morar sozinho já tem um tempo... só que aí veio o coronga e miou tanto os meus planos quanto da empresa que eu trabalhava, ou seja: fui demitido em abril, por sorte o Lu aqui é uma pessoa precavida e tinha uma reserva que durou até julho (pois é, daqui pra frente vai ser osso...) e agora estou correndo atrás de uns freelazinhos.

E como a vida é uma caixinha de surpresas minha prima me manda um vídeo de um cara chamado Guilherme Rocker, figura magricela com um cabelo incrível... pois bem, assisti alguns vídeos dele curtindo o estilo, porém o gatilho que fez a chave virar foi o documentário sobre o Walter Mercado que tem na netflix nossa de cada dia... lá alguém falou que o Walter era andrógino e essa palavra tipo explodiu na minha cabeça saca? Tipo aquele gif.. wooooow

Fui ler sobre e passei a me interessar pelo estilo e veio de encontro com algo que eu já tinha na cabeça desde o começo do ano...

Falando no começo do ano de volta: Quando eu entrei no emprego eu resolvi fazer terapia (menines, façam terapia, é ótimo!) e fui logo falando pra ela minhas neuras e tudo mais e ela tem me ajudado a normatizar essa coisa de usar saia na minha cabeça... eu falei uma frase que ela até guardou e foi uma paráfrase duma "ministra" do governo atual: Meninos usam azul e meninas rosa... e eu? Eu gosto do roxo.

(quem não sabe roxo é a mistura de azul com vermelho)

E aí sigo aqui, encantado por coisas roxas e cada vez mais interessado na ideia de ser andrógino, parece que o "não-escolher" também é uma forma de escolha afinal.

No mais é isso que eu queria dividir com vocês! E não se esqueçam de se permitir porque sim, você merece ser feliz hoje!

Até a próxima 
~ Lu

sábado, 5 de janeiro de 2019

Libertador

Olá, como estão?

Pode soar idiota, mas hoje, 10h da manhã o carteiro bateu aqui em casa, eu sozinha (ainda moro com a mãe, porém essa semana ela viajou) abri a janela, assinei a encomenda e... meu! Era minha fucking saia xadrez com pregas, claro que não era tão bonita quanto no anúncio mas ainda assim... é a minha primeira saia, a primeira peça que compro pra esse "lado" meu que nunca teve seu espaço...

A epopeia dessa saia começou dia 28 de dezembro, quando soube que estaria sozinha em casa durante o prazo de entrega, falava com a Senhora (um dia conto essa história) e ela mandou eu me virar. Sei que soa estranho, mas era o empurrão que faltava, eram 6 e pouco da manhã quando gerei o boleto do Mercado Livre, a impressora aqui de casa estava sem tinta então coloquei no pendrive e fui dormir, acordei eram 9h da matina e fui procurar um lugar que imprime, por R$ 1,00 achei um lugar que duas lojas do lado da lotérica! Como sei que ninguém está com o calendário à mão (muito menos o calendário do ano passado) dia 28 de dezembro de 2018 foi uma sexta-feira, pensei que ia pegar fila na lotérica, mas só tinham 3 pessoas na fila então em menos de 10 minutos eu já estava de volta na rua, quando chego em casa tem um e-mail na minha caixa de entrada:


É aquela coisa né, boleto só desconta na virada do dia, então fiquei tranquila... mentira, quando deu meia noite e não descontou fiquei bolada, será que deu ruim? Mas aí me liguei que era sábado, fui dormir completamente preocupada... Mas, quando acordei...


Agora era com o vendedor, passou o dia 30 (domingo), dia 31 (segunda), dia 1 (terça), dia 2 (quarta) e nada de enviar... já estava pensando que tomei um calote, foi quando me deu a ideia de enviar uma mensagem nas perguntas do anúncio dizendo que eu já tinha pago, que precisava para o quanto antes porque era um presente de aniversário (rs), o vendedor respondeu que já estava no malote, aí o coração pulou!

Isso já no dia 3 pro dia 4... depois disso não deu nem tempo de printar! Em um dia saiu do vendedor (dia 3) e no dia 5 de manhã (também conhecido como hoje) estava na minha mão, no meu corpo e... cara. Que sensação deliciosa!

Não sei precisar quanto tempo eu esperei por esse momento, quantos anos passei namorando as saias do aliexpress, fantasiando eu dentro delas, o toque devia ter, o vento por baixo, as sensações e... eu não sei descrever. Se antes de comprar eu tinha receio de que, talvez, essa "coisa" de CD/sissy não fosse pra mim (sou insegura demais, um dia falo sobre) e que eu estava jogando dinheiro fora, confesso que quando eu estava rasgando a embalagem eu fiquei achando que não ia servir, que o tecido ia se desmanchar nas minhas mãos, que eu fiz besteira... mas ao tocar o tecido, ao cheirar ele na minha mão, ao soltar no ar e ver o caimento... foi inevitável, tirei a bermuda que estava usando e fui colocar ela. 

Na hora chamei todas as pessoas que sabem desse meu lado, só uma estava online, fui mandando fotos e ela opinando, me ensinou até a empinar a bunda haha

O resultado bom é essa foto que encerra essa postagem, eu ainda estou dentro da saia, acho que vou esperar chegar mais a madrugada pra ir tirar umas fotos lá na laje, nessa hora eu queria que alguma de minhas amigas que sabem morassem aqui, assim eu poderia pedir pra elas tirarem umas fotos legais... por sorte eu tenho um tripé e algum conhecimento de fotografia (coisas que aprendi na faculdade) e o photoshop pra dar aquela melhorada nas cores, no ângulo... mas a minha primeira foto (decente vai, deletei umas 20 antes dessa) e que eu postei até no fetlife, é essa aqui:


Obrigada à todas as pessoas que me apoiaram, acompanharam (e aturaram) meus dias de espera e agora vão ter que aturar foto volte e meia (mentira, nem vou floodar ninguém, sou respeitosa)


Agora... Na boa, estou apaixonada por essa foto (e por mim mesma!) e essa sensação, na cabeça de alguém que tem uma auto-imagem terrível desde seus 12~13 anos é libertador.

quarta-feira, 2 de janeiro de 2019

Apresentação

Bom, primeiramente bem vindos/as ao meu blog. Aqui pretendo falar sobre minhas agruras como crossdresser e sissy (dá pra ser as duas, num post futuro explico) e como tem sido pra mim aceitar duma vez por todas que eu gosto disso, que não faz mal pra ninguém e que eu não vou deixar de ser eu mesmo só porque eu tô de saia.

Acho que vale um momento história aqui pra começar bem:

Acho que todos/as aspirantes à crossdressers (CDs, pros íntimos) ou sissys começaram na adolescência, esperavam ficar sem ninguém em casa e corriam para o quarto da mãe, da irmã... tudo pra experimentar as peças. Comigo não foi diferente. Eu devia ter uns 12 anos, estudava a tarde, meus pais trabalhavam de manhã e eu adorava assistir a Eliana e sempre torcia pra ela estar de saia. Um dia, "explorando" o quarto dos meus pais eu achei uma camisa branca de botões com uma outra camisa de tecido fininho marrom bem clarinho e, no mesmo cabide, uma saia marrom-claro de camurça. Quando toquei aquela peça algo em mim deu um clique. Mas não experimentei ainda. 

Em um outro dia eu decidi experimentar. Meti-me dentro da saia e olhei no espelho do guarda-roupas. A bunda ficava pronunciada. Mas, temendo ser flagrada tirei e voltei a assistir desenho na TV. Porém houve um dia, eu não sei precisar data, mas eu acordei antes dos meus pais e fiquei quieta esperando eles saírem. Assim que ouvi o motor do fusca do meu pai sair eu esperei dez minutos e corri pro quarto deles.

Coloquei a camisa branca. A saia. A camisa marrom-clarinho por cima. Caminhei pelo quarto sentindo algo diferente em mim. Quinze minutos e minha primeira experiência CD chegava ao fim com uma deliciosa masturbação. Passaram-se várias semanas, talvez meses até eu sentir vontade daquilo tudo de novo. Porém dessa vez eu estava mais sagaz, queria melhorar o visual: fucei nas gavetas da mãe, peguei uma calcinha, sutiã e uma meia calça branca. Levei alguns minutos montando tudo. O espelho me sorriu a primeira vez. Novamente a experiência acabou em uma incrível masturbação.

Depois disso não queria mais vestir aquele conjunto, queria algo novo. Fuçando o guarda-roupas da mãe achei um vestido, desses com manga curta, plissado, de um tecido muito gostoso na pele. Todo de botões. Vestia tipo uma camiseta e ia fechando os botões. Quando entrei nele a primeira vez o movimento que sentia dele quase me fez querer sair na rua. Na época eu morava em uma cidade com menos de 20 mil habitantes, no interior do interior do interior do Paraná.

Na segunda vez que entrei naquele vestido o primeiro risco de flagra: eu devia ter uns 13 anos. Ouvi o motor do fusca do meu pai voltando, rapidamente arranquei o vestido socando ele dentro do guarda-roupas e me joguei na minha cama. Essa passou perto.

Depois disso tive pequenas experiências nas minhas andanças no quarto dos meus pais. Nada tão revelador ou até mesmo descobridor. Mas todas as experiências me trouxeram ao hoje: aos 31 eu crio esse blog esperando vir pelo correio a minha primeira saia. A primeira de muitas, espero. Mas isso, é assunto pra um próximo post.

Até lá ;)