sexta-feira, 26 de julho de 2019

CdF - Reunião

Meus cálculos haviam dado certo e tanto Rafaela quanto Freya haviam se sentado no outro extremo da mesa. Claro que o móvel servia pra mostrar a hierarquia. A chefia na ponta próxima da janela, do projetor e da máquina de café e, conforme o clero ia baixando, mais próxima da porta de saída e dos vasos de folhagem ficava. Eu até tentei me sentar o mais próximo possível da porta, mas a moça da criação queria que eu jogasse na sobra, se visse uma oportunidade colocaria uma puta sacada.

Obviamente ela não sabia da minha condição de auto exílio do paraíso BDSM do ano novo. Não sabia o quanto eu havia ficado seguro da minha decisão e muito menos no quanto a psicologa ouviu de áudios. Mas a vida tem desses dilemas e dessas batalhas a se batalhar e, com sorte, vencer. Eu estava firme. Convicto. Aquela decisão, naquele momento, foi o ideal. Foi o que tinha de ser feito.

Claro que todo planejamento mental que eu fazia ruía frente da primeira dificuldade e eu tinha de improvisar. Foi exatamente isso que senti ao ver Rafaela seguida de perto de Freya. O cabelo da aspirante à domme estava diferente, talvez mais curto, o porte dela mais altivo. Já sua senhora nem precisava da descrição, ela estava soberana. Eu, por instinto, abaixei o olhar. Ela não era do tipo vingativa, era? Tomara que não.

Reunião iniciada e a voz do Borges falando do quanto estava feliz por ter uma equipe como nós era o mesmo blá-blá-blá motivacional de páginas de redes sociais. Conhecia a maioria das frase: eu mesmo tinha escrito elas em uma fase de desemprego. Devia ter aproveitado aquela época para escrever um livro sobre isso e hoje estaria dando palestras. Não. Sem chance. Odiava ser o centro das atenções. Foi quando senti um toque sutil no meu braço. Era minha deixa. Falei o que esperavam de mim, todos me olhando, fui firme expondo meus pontos, dois minutos, talvez dois minutos e meio. Apesar de ser criativo sempre gostei de análises. Rafaela cochichou algo ao pé do ouvido de Freya que, ao tornar suas orbes esverdeadas sobre mim, soltou um riso fino. O foda é que eu sabia o que elas conversavam. Merda.

O resto da reunião foi a confirmação por parte de todos os presentes que, se preciso fosse, venderiam a alma pela empresa. Todo começo de ano nas empresas é esse tipo de encontro. É igual à reunião de final de ano, só que sem bolos, salgados e bebida. Só tem café e eu odeio café. Atiça meu refluxo. Depois tinha que perguntar pro Borges se ele se importava d'eu trazer meu chimarrão. Tem cafeína, ataca meu refluxo, mas o vapor da água me faz pensar melhor.

Ao fim, enquanto pequenas rodinhas se formavam próximas da máquina de café e de biscoito água e sal, Rafaela passava nelas uma por uma para confirmar os rumos e acabava falando pessoalmente com todos os presentes. Por incrível que pareça, eu estava absorto num copo com água e meio biscoito pensando em uma frase matadora pra rede social. Chamei a Beth, designer que dizia que éramos uma ótima dupla de criação, e comentei a linha geral, ela já via a arte e eu via um refinamento da frase, algo que pudesse ser musical. Foi quando Freya me cutucou de leve, quase como um anúncio da chegada de Rafaela.

- Conto com vocês esse ano que se inicia hem - Ela não me olhava, eu estava invisível, quase como se tivesse exercido o direito à safe - Temos grandes aspirações esse ano e vamos precisar de todo mundo!

- Pode deixar, senhora - Beth me olhou - O Fernando até teve uma ideia legal pra rede social e...

- ... Depois falamos sobre - Ela foi se afastando e se aproximando do Borges - Estão me chamando.

- Nossa - A designer me olhou - Ela te ignorou legal hem, até parece que vocês tiveram um caso - Ela riu de leve, eu permaneci sem reagir, conhecia aquela atitude, não sei se, na posição dela, não faria o mesmo. - Não vai me dizer que tiveram???

- Claro que não - Ri - Com todo respeito, mas é muita areia pro meu carrinho de mão.

- Nem tanto - Ela me olhou de cima a baixo, depois olhou para Rafaela e Freya que a circulava como um satélite - Ela é bonita, mas você também é...

Senti um clima estranho. Precisava de uma fuga, a janela talvez fosse legal. Ri do pensamento suicida assim, do nada. Pretendia falar algo que mudasse o assunto quando Rafaela deu por encerrada a reunião e mandou todo mundo de volta aos seus postos. Tinha a certeza que eu ficaria e ela ou me demitiria ou faria qualquer coisa. Fui deixando o grosso do pessoal - umas vinte pessoas - irem saindo, fui um dos últimos a deixar a sala. Nada. Nenhuma reação da parte dela. Será que ela estava frustrada? Olhei de soslaio buscando vê-la, seu rosto era como a esfinge, não emitia um único sentimento, não demonstrava absolutamente nada. Freya tentava, mas eu a lia, ela estava curiosa, não sei se com a minha coragem de permanecer na empresa ou com a sua senhora controlando as expressões. Acho que hoje, como alívio de stress, alguém apanharia. Que sorte que não sou eu.

Credo.

Credo.

Credo.

Voltei pra minha sala. Ainda eram dez horas da manhã, de uma segunda-feira de meados de janeiro. Puta merda. Esse ano ia ser interessante e eu ia adorar o que estava por vir.

sexta-feira, 19 de julho de 2019

Contos de Fernandes

Bom, como muita gente aqui não sabe, além de trabalhar com redação publicitária (aceitando freelas inclusive rs) eu também me acho sou escritore, desde muito cedo eu conheci os versos, depois vieram poesias, contos, cronicas, histórias maiores e, por uma inspiração que tive ao ler os escritos da Senhora Pam (vou deixar link ali em baixo) eu acabei criando o Fernando, uma crossdresser que vive a sua fantasia sozinho no seu apartamento, comprando roupas pela internet e tudo mais.

Antes de começar a publicar contos aqui (toda sexta, divididos em trilogias, porque eu AMO TRILOGIAS, seja do que for, é tipo redação do enem: 3 parágrafos é o ideal, introdução, desenvolvimento, conclusão) eu devo deixar alguns avisos interessantes, porque, caso alguém se identifique com a personagem saibam que esse não é o objetivo.

"Contos de Fernandes" é só uma série literária, sem nenhum compromisso com a realidade, sem interesse nenhum em inspirar ninguém, é só entretenimento. Quaisquer coincidências com nomes, lugares, pessoas ou situações são só coincidências, nada mais que isso.

Outra coisa: "Rafaela", "Vali", "Freya" são personagens dos livros "Senhora de Três", de Pamela March , portanto todas as citações às personagens são como referência, guardando os devidos direitos autorais à sua autora original e com autorização da mesma pra tal utilização.

Como eu não controlo minha inspiração e não vivo de escrever (uma pena, admito) eu tenho a primeira trilogia pronta e vou lançando toda sexta, só que não posso prometer nada depois disso tá bem?! Se quiserem podem me cobrar nos comentários, vou adorar incentivos respeitosos (ou nem tanto, caso alguma domme queira se manifestar haha)

Agora, como prometi lá em cima, seguem os links pra comprar os livros da Senhora Pam:

- Ep1: Obediência - https://amzn.to/2t9KgQ1
- Ep2: Renascimento: https://amzn.to/2MUX2uN
- Ep3: Submissão: https://amzn.to/2DijMk7
- Ep4: Controle: https://amzn.to/2UqMu8Q
- Ep5: Festim: https://amzn.to/2VIMm9p
- Ep6: Réveillon: https://amzn.to/2Id8kIZ

Apesar de ser uma hexalogia, é uma leitura que prende! Qualquer dia, quem sabe, convenço ela a soltar um teaserzinho pra vocês ;)

Agora, sem mais delongas: Até sexta que vem! Fiquem bem, cuidem-se e não deixem de ser quem vocês são por causa dos outros.

sábado, 5 de janeiro de 2019

Libertador

Olá, como estão?

Pode soar idiota, mas hoje, 10h da manhã o carteiro bateu aqui em casa, eu sozinha (ainda moro com a mãe, porém essa semana ela viajou) abri a janela, assinei a encomenda e... meu! Era minha fucking saia xadrez com pregas, claro que não era tão bonita quanto no anúncio mas ainda assim... é a minha primeira saia, a primeira peça que compro pra esse "lado" meu que nunca teve seu espaço...

A epopeia dessa saia começou dia 28 de dezembro, quando soube que estaria sozinha em casa durante o prazo de entrega, falava com a Senhora (um dia conto essa história) e ela mandou eu me virar. Sei que soa estranho, mas era o empurrão que faltava, eram 6 e pouco da manhã quando gerei o boleto do Mercado Livre, a impressora aqui de casa estava sem tinta então coloquei no pendrive e fui dormir, acordei eram 9h da matina e fui procurar um lugar que imprime, por R$ 1,00 achei um lugar que duas lojas do lado da lotérica! Como sei que ninguém está com o calendário à mão (muito menos o calendário do ano passado) dia 28 de dezembro de 2018 foi uma sexta-feira, pensei que ia pegar fila na lotérica, mas só tinham 3 pessoas na fila então em menos de 10 minutos eu já estava de volta na rua, quando chego em casa tem um e-mail na minha caixa de entrada:


É aquela coisa né, boleto só desconta na virada do dia, então fiquei tranquila... mentira, quando deu meia noite e não descontou fiquei bolada, será que deu ruim? Mas aí me liguei que era sábado, fui dormir completamente preocupada... Mas, quando acordei...


Agora era com o vendedor, passou o dia 30 (domingo), dia 31 (segunda), dia 1 (terça), dia 2 (quarta) e nada de enviar... já estava pensando que tomei um calote, foi quando me deu a ideia de enviar uma mensagem nas perguntas do anúncio dizendo que eu já tinha pago, que precisava para o quanto antes porque era um presente de aniversário (rs), o vendedor respondeu que já estava no malote, aí o coração pulou!

Isso já no dia 3 pro dia 4... depois disso não deu nem tempo de printar! Em um dia saiu do vendedor (dia 3) e no dia 5 de manhã (também conhecido como hoje) estava na minha mão, no meu corpo e... cara. Que sensação deliciosa!

Não sei precisar quanto tempo eu esperei por esse momento, quantos anos passei namorando as saias do aliexpress, fantasiando eu dentro delas, o toque devia ter, o vento por baixo, as sensações e... eu não sei descrever. Se antes de comprar eu tinha receio de que, talvez, essa "coisa" de CD/sissy não fosse pra mim (sou insegura demais, um dia falo sobre) e que eu estava jogando dinheiro fora, confesso que quando eu estava rasgando a embalagem eu fiquei achando que não ia servir, que o tecido ia se desmanchar nas minhas mãos, que eu fiz besteira... mas ao tocar o tecido, ao cheirar ele na minha mão, ao soltar no ar e ver o caimento... foi inevitável, tirei a bermuda que estava usando e fui colocar ela. 

Na hora chamei todas as pessoas que sabem desse meu lado, só uma estava online, fui mandando fotos e ela opinando, me ensinou até a empinar a bunda haha

O resultado bom é essa foto que encerra essa postagem, eu ainda estou dentro da saia, acho que vou esperar chegar mais a madrugada pra ir tirar umas fotos lá na laje, nessa hora eu queria que alguma de minhas amigas que sabem morassem aqui, assim eu poderia pedir pra elas tirarem umas fotos legais... por sorte eu tenho um tripé e algum conhecimento de fotografia (coisas que aprendi na faculdade) e o photoshop pra dar aquela melhorada nas cores, no ângulo... mas a minha primeira foto (decente vai, deletei umas 20 antes dessa) e que eu postei até no fetlife, é essa aqui:


Obrigada à todas as pessoas que me apoiaram, acompanharam (e aturaram) meus dias de espera e agora vão ter que aturar foto volte e meia (mentira, nem vou floodar ninguém, sou respeitosa)


Agora... Na boa, estou apaixonada por essa foto (e por mim mesma!) e essa sensação, na cabeça de alguém que tem uma auto-imagem terrível desde seus 12~13 anos é libertador.

quarta-feira, 2 de janeiro de 2019

Apresentação

Bom, primeiramente bem vindos/as ao meu blog. Aqui pretendo falar sobre minhas agruras como crossdresser e sissy (dá pra ser as duas, num post futuro explico) e como tem sido pra mim aceitar duma vez por todas que eu gosto disso, que não faz mal pra ninguém e que eu não vou deixar de ser eu mesmo só porque eu tô de saia.

Acho que vale um momento história aqui pra começar bem:

Acho que todos/as aspirantes à crossdressers (CDs, pros íntimos) ou sissys começaram na adolescência, esperavam ficar sem ninguém em casa e corriam para o quarto da mãe, da irmã... tudo pra experimentar as peças. Comigo não foi diferente. Eu devia ter uns 12 anos, estudava a tarde, meus pais trabalhavam de manhã e eu adorava assistir a Eliana e sempre torcia pra ela estar de saia. Um dia, "explorando" o quarto dos meus pais eu achei uma camisa branca de botões com uma outra camisa de tecido fininho marrom bem clarinho e, no mesmo cabide, uma saia marrom-claro de camurça. Quando toquei aquela peça algo em mim deu um clique. Mas não experimentei ainda. 

Em um outro dia eu decidi experimentar. Meti-me dentro da saia e olhei no espelho do guarda-roupas. A bunda ficava pronunciada. Mas, temendo ser flagrada tirei e voltei a assistir desenho na TV. Porém houve um dia, eu não sei precisar data, mas eu acordei antes dos meus pais e fiquei quieta esperando eles saírem. Assim que ouvi o motor do fusca do meu pai sair eu esperei dez minutos e corri pro quarto deles.

Coloquei a camisa branca. A saia. A camisa marrom-clarinho por cima. Caminhei pelo quarto sentindo algo diferente em mim. Quinze minutos e minha primeira experiência CD chegava ao fim com uma deliciosa masturbação. Passaram-se várias semanas, talvez meses até eu sentir vontade daquilo tudo de novo. Porém dessa vez eu estava mais sagaz, queria melhorar o visual: fucei nas gavetas da mãe, peguei uma calcinha, sutiã e uma meia calça branca. Levei alguns minutos montando tudo. O espelho me sorriu a primeira vez. Novamente a experiência acabou em uma incrível masturbação.

Depois disso não queria mais vestir aquele conjunto, queria algo novo. Fuçando o guarda-roupas da mãe achei um vestido, desses com manga curta, plissado, de um tecido muito gostoso na pele. Todo de botões. Vestia tipo uma camiseta e ia fechando os botões. Quando entrei nele a primeira vez o movimento que sentia dele quase me fez querer sair na rua. Na época eu morava em uma cidade com menos de 20 mil habitantes, no interior do interior do interior do Paraná.

Na segunda vez que entrei naquele vestido o primeiro risco de flagra: eu devia ter uns 13 anos. Ouvi o motor do fusca do meu pai voltando, rapidamente arranquei o vestido socando ele dentro do guarda-roupas e me joguei na minha cama. Essa passou perto.

Depois disso tive pequenas experiências nas minhas andanças no quarto dos meus pais. Nada tão revelador ou até mesmo descobridor. Mas todas as experiências me trouxeram ao hoje: aos 31 eu crio esse blog esperando vir pelo correio a minha primeira saia. A primeira de muitas, espero. Mas isso, é assunto pra um próximo post.

Até lá ;)